Irisina: hormônio liberado durante exercício pode ser eficaz contra a covid-19

Estudo brasileiro mostra que a irisina pode ter efeitos terapêuticos, principalmente em pacientes que fazem parte do grupo do risco

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Irisina: hormônio liberado durante exercício pode ser eficaz contra a covid-19

A atividade física tem grande valor para o corpo, pois melhora as condições de saúde e pode ser uma aliada na proteção contra a covid-19, de acordo com um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Segundo pesquisadores, a irisina, hormônio liberado pelos músculos durante o exercício físico, pode ter efeitos terapêuticos em pacientes com a doença.

Descoberta em 2012, a substância atua na conversão do tecido adiposo branco em bege e marrom, o que favorece a termogênese e o gasto de calorias, contribuindo para o controle da obesidade, da síndrome metabólica e da gordura no fígado. A irisina também atua junto à insulina para reduzir a osteoporose.

No estudo, dados de transcriptoma de células adiposas (de gordura) que não estavam infectadas com o novo coronavírus e que receberam doses de irisina serviram como base. A pesquisadora Miriane de Oliveira explica que a análise de um conjunto de moléculas de RNA expressas em um tecido pode abrir portas para novos estudos que apontem um potencial terapêutico da substância em pacientes com covid-19.

A irisina é liberada durante a atividade física. (Fonte: Pexels)

Fechando a porta de entrada do vírus

O estudo contou com a análise de 14.857 genes expressos em células adiposas, mostrando que aqueles que receberam o hormônio tiveram a expressão genética alterada. Por causa da pandemia, pesquisadores da Unesp resolveram analisar o efeito da substância em genes relacionados à replicação do novo coronavírus. O resultado foi que diversos reguladores do gene ACE2 tiveram sua expressão diminuída — esse gene é fundamental para a replicação do Sars-CoV-2 no corpo humano, já que codifica a proteína que o vírus usa para invadir as células sadias.

Além disso, a irisina triplica a transcrição do gene TRIB3, que existe em menor quantidade nos idosos e pode estar relacionado à alta replicação do novo coronavírus entre os mais velhos.

A enzima ACE2, responsável pela replicação do novo coronavírus, é alterada pela irisina
O gene ACE2, responsável pela replicação do novo coronavírus, é alterado pela irisina. (Fonte: Wikipedia)

Combatendo a gordura e a covid-19

Outras pesquisas relacionadas à covid-19 indicam que o tecido adiposo aparentemente serve como repositório do novo coronavírus, o que explicaria por que pessoas obesas são mais sujeitas a complicações causadas pela infecção. Elas também têm menores índices de irisina e maiores expressões do gene ACE2.

 Os resultados da pesquisa brasileira foram publicados em todo o mundo e mostram que eventuais tratamentos com base nesse hormônio poderiam ser eficazes para reduzir as complicações causadas pela doença. Eles revelam também a importância de um bom gerenciamento de dados, já que as pesquisas originais sobre a irisina analisavam a interação da substância e de hormônios da tireoide na modulação de genes das células adiposas e no controle lipídico.

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