Musculação: existe diferença entre homens e mulheres?

Pessoas de todos os gêneros podem praticar musculação, mas será que existe diferença nos treinos para cada um? Nosso professor responde

Mito ou verdade? 4 min. de leitura
Musculação: existe diferença entre homens e mulheres?

Por muito tempo, houve quem pensasse que a musculação era um exercício apenas para homens. Ainda bem que essa concepção mudou, afinal as mulheres podem fazer qualquer atividade que quiserem e é possível encontrar muitas fãs dessa modalidade nas academias. 

Mesmo assim, continuam existindo algumas dúvidas sobre as possíveis diferenças da musculação para homens e mulheres. Por exemplo, os exercícios recomendados para homens e mulheres são os mesmos? Há algum cuidado especial direcionado a um ou outro gênero? Para sanar essas dúvidas, nós chamamos o educador físico Edson Duarte (CREF 17: 0002652/MT), supervisor técnico da Selfit, na unidade Estação Cuiabá. Confira.

Quais são as diferenças entre homens e mulheres na hora de fazer exercícios? 

Pode-se dizer que temos grandes diferenças que interferem diretamente nos resultados e que são cruciais para o profissional de Educação Física fazer uma prescrição mais apropriada. 

Os homens têm mais glóbulos vermelhos no sangue — isto é, as células que transportam oxigênio no corpo. Isso favorece um melhor desempenho nas atividades aeróbicas, que exigem capacidade cardiorrespiratória, como a corrida ou a natação. 

Além disso, o corpo masculino tem maior concentração de testosterona, o que favorece a realização de atividades anaeróbicas, como a musculação, e também o aumento de massa muscular. De maneira geral, os homens têm mais massa magra naturalmente: em média, as mulheres têm 10% a mais de gordura corporal. 

Esse percentual, por outro lado, pode ser uma ajuda em modalidades que necessitem da facilidade de flutuação, como o nado em mar aberto. Elas também costumam ter mais flexibilidade e amplitude articular — o que se traduz em um melhor desempenho nas modalidades que demandam movimentos precisos. 

Homens têm mais testosterona, mas mulheres costumam ter mais flexibilidade e amplitude articular (Fonte: Unsplash)
Mulheres costumam ter mais flexibilidade e amplitude articular. (Fonte: Unsplash)

Quais são os cuidados ao praticar musculação?

Isso é similar para ambos, sendo essencial tomar certas precauções independente do gênero. Para listar algumas delas, começamos com o aquecimento, que é fundamental em qualquer rotina de treinos para evitar lesões, principalmente se a atividade exige um esforço de grande intensidade ou explosão. 

Também é muito importante prestar atenção na adaptação e na progressão. O processo adaptativo envolve o fortalecimento de articulações, ligamentos e músculos, bem como a melhora da capacidade cardiorrespiratória, para que depois possamos iniciar treinos específicos, com foco em um determinado resultado. A progressão está relacionada a isso, já que os exercícios devem evoluir conforme o corpo for se adaptando. 

Outro fator que devemos citar é a individualidade biológica. Cada pessoa tem um genótipo (que herdamos da nossa família) e um fenótipo (que adquirimos a partir do meio onde vivemos). Levando isso em consideração, cada pessoa corresponderá de uma forma diferente aos estímulos. Sendo assim, podemos dizer que um mesmo tipo de exercício físico terá uma resposta diferente para cada indivíduo, independente do gênero.

Os treinos devem ser prescritos de acordo com características individuais, independente do gênero (Fonte: Unsplash)
Os treinos devem ser prescritos de acordo com as características individuais, independente do gênero. (Fonte: Unsplash)

Existem treinos diferentes para homens e mulheres? 

É comum ver mulheres e homens fazendo treinos diferentes nas academias. Porém, além dos fatores fisiológicos e morfológicos que citamos anteriormente, isso acontece por preferências pessoais e questões culturais em muitos casos. Isso porque, de modo geral, as mulheres preferem treinar membros inferiores (coxas, pernas e glúteos) e os homens os superiores (peito, costas, bíceps e tríceps). Claro que isso não é uma regra, mas acontece bastante no dia a dia das academias. 

Dito isso, algo que eu penso que deveríamos considerar na hora de prescrever um treino de musculação para mulheres é o ciclo menstrual. Nessa fase, a produção de estrogênio cai e, com isso, diminui também a força.  Em contrapartida, o período pós-menstruação traz um crescimento na produção estrogênio, aumentando assim a motivação e o desempenho das mulheres na musculação. 

A conclusão geral é que os treinos devem sim ser prescritos de forma diferente. Não apenas por conta das diferenças morfológicas e fisiológicas entre homens e mulheres, mas também para respeitar as características individuais de cada aluno ou aluna. 

Compartilhe o texto com seus colegas!