Treino em jejum ajuda na hipertrofia?

Saiba se treinar em jejum é algo indicado a quem deseja ganhar massa muscular

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Treino em jejum ajuda na hipertrofia?

Cuidar da saúde não tem contraindicação: hábitos saudáveis são sempre bem-vindos. Mas, assim como não há uma dieta que contemple toda e qualquer pessoa, não existe apenas uma forma de se exercitar. Por isso, o fundamental é achar a forma de treinar que seja ideal para você, considerando seu objetivo.

Uma das metas mais comuns de quem procura uma academia é ganhar massa muscular. Nesse caso, é papel do profissional de educação física prescrever um treino adequado à realidade e ao metabolismo de cada pessoa, assim como dar orientações gerais relacionadas à rotina de exercícios. 

A dieta antes, durante e depois do treino costuma ser um dos pontos que mais suscita dúvidas, e uma questão em específico é recorrente: treinar em jejum auxilia a hipertrofia? 

Para falar sobre essa questão, a Selfit convidou o profissional de educação física Guilherme Francisco de Siqueira Vieira (CREF 054398-G/SP). Confira!

Como funciona o treino para hipertrofia?

Para ganho de massa, os exercícios provocam microlesões que, ao serem regeneradas, geram hipertrofia. (Fonte: Yuliia Hurzhos/Shutterstock)

A hipertrofia se refere ao aumento do volume dos músculos, adquirido por meio de exercícios específicos. É por isso que, segundo o educador físico, dentre os diversos tipos de treino, aqueles que estão focados no ganho de massa muscular são mais volumosos que os demais. 

Em geral, cada grupo muscular recebe trabalho de 3 a 4 exercícios, que por sua vez  têm de 3 a 4 séries. Em cada série, é comum que se façam de 8 a 12 repetições, o que implica 70% a 85% da repetição máxima. Esse processo gera microlesões na musculatura, aumentando a massa ao se regenerar.

Qual o papel da dieta no treino?

Alimentos ricos em proteína costumam ser priorizados na dieta de quem se deseja aumento de massa muscular. (Fonte: Ekaterina Markelova/Shutterstock)

Para Vieira, a dieta é fundamental em qualquer objetivo que se tenha ao se exercitar. No caso do ganho de massa, o corpo precisa de nutrientes adequados para se recuperar das microlesões geradas pelo esforço empregado na atividade. Portanto, não adianta treinar bem e se alimentar mal.

Assim como é importante que um um profissional de educação física prescreva um treino correto, é essencial que um de nutrição acompanhe a dieta de quem se exercita. Esse profissional está preparado para dar as orientações corretas e apontar um cardápio adequado à realidade individual.

Afinal, é indicado fazer exercícios de hipertrofia em jejum?

Hipoglicemia e até desmaio são possíveis efeitos do treino em jejum. (Fonte: Shutterstock)

Segundo Vieira, não é indicado que quem deseje ganhar massa muscular treine em jejum – mesma orientação dada a quem treina com foco em exercícios cardiorrespiratórios – e essa contraindicação se dá por duas razões. 

A primeira delas é que não há benefício, como às vezes se acredita. Quando se malha sem comer antes, o músculo queima a energia que ele mesmo produz para sua manutenção. Ao acabar esse estoque, ele vai retirar da corrente sanguínea e só depois chegar a consumir gordura. Mas o tecido adiposo tem um “senso de defesa” que limita seu consumo. Assim, o treino em jejum não queima gordura de forma significativa.

A segunda é que existem riscos sérios ao se exercitar sem uma boa alimentação, como um quadro de hipoglicemia e até mesmo de desmaio. “Não aconselho treinar antes de se alimentar. Indico até mesmo treinar à tarde e à noite, assim, após duas ou três refeições durante o dia, o corpo já tem uma reserva de energia dos alimentos consumidos”, finaliza o educador.

Gostou das dicas? Então, antes de correr para a academia, marque uma consulta com um profissional de nutrição!