O que são alimentos ultraprocessados e como eles afetam a saúde

Com baixo valor nutritivo, esses produtos devem ser evitados por aumentarem riscos de doenças

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O que são alimentos ultraprocessados e como eles afetam a saúde

Biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes, margarina, sucos artificiais… todos esses alimentos têm em comum o fato de estarem na categoria dos ultraprocessados, produtos considerados inimigos de quem busca uma alimentação saudável. Isso porque estão associados a riscos para a saúde se consumidos em excesso, podendo, no longo prazo, causar doenças como diabetes e hipertensão.

Para entender do que se tratam esses produtos, é preciso compreender o que são alimentos in natura e processados. Os primeiros são aqueles que podem ser obtidos de forma natural, como folhas, frutas e carnes, sem que seja necessária alteração industrial antes do consumo. Já os processados passam por algum tipo de etapa industrial em sua fabricação, como adição de sal ou açúcar.

menina bebendo refrigerante
(Fonte: Giphy)

Exemplos de processados são frutas em calda, legumes em conserva, queijos e pães, como explica a nutricionista e pós-doutoranda em Medicina e Saúde Humana, Izabela Ferraz (CRN 8560). Essas alterações são feitas nos alimentos “com o objetivo de torná-los duráveis e mais agradáveis ao paladar”, explica ela. No caso dos ultraprocessados, porém, as técnicas envolvem alta quantidade de sal, açúcar, gordura e ingredientes como corantes industriais e realçadores de sabor.

Justamente por conta desse excesso, que significa alta quantidade de sódio e calorias, por exemplo, os ultraprocessados podem causar uma série de mudanças no organismo de quem os consome, prejudicando a saúde. “[Eles] contribuem para desnutrição e disfunção celular, deficiências de vitaminas e minerais importantes para o funcionamento das células e aumentam o risco de doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade geral, obesidade central, diabetes, hipertensão e Alzheimer, além de disbiose intestinal e tipos de câncer”, ressalta Ferraz.

Apesar de tão presentes no dia a dia e de preencherem as prateleiras dos mercados, a recomendação do Ministério da Saúde é de que o consumo de ultraprocessados seja evitado, já que são pobres nutricionalmente e ricos em ingredientes que podem ser prejudiciais se consumidos em grande quantidade. Há, inclusive, o acréscimo de componentes com efeito aditivos, que podem causar vício.

“Há estudos com revisões sistemáticas que comprovam que o consumo dos alimentos ultraprocessados, por serem ricos em substâncias como aditivos químicos, conservantes e corantes, podem modificar as papilas gustativas e as bactérias intestinais, fazendo com que o metabolismo seja modificado”, afirma a nutricionista.

Alternativas possíveis

mulher comendo fruta
(Fonte: Giphy)

Um dos fatores que tornam os ultraprocessados tão atraentes, além do sabor que agrada ao paladar, é a facilidade com que podem ser consumidos. Sendo muitas vezes encontrados em embalagens práticas e já prontos para serem ingeridos, sem exigirem qualquer preparo (como os biscoitos e os salgadinhos), não é difícil cair na tentação de consumi-los. É preciso, porém, buscar alternativas também de fácil consumo e que de fato possam trazer boas contribuições para o organismo.

“As frutas, verduras, oleaginosas [amêndoas, nozes e avelãs, por exemplo], raízes e os tubérculos [como beterraba e rabanete] são alternativas mais nutritivas para o consumo. Por serem naturais, possuem vitaminas, minerais e aminoácidos importantes para o bom funcionamento celular”, defende Ferraz.

Risco para todas as idades

No caso de crianças e pessoas na melhor idade, a atenção com os ultraprocessados deve ser ainda maior. Por conta dos aditivos químicos, é possível que as crianças acabem se acostumando a consumir esses produtos, negligenciado os alimentos in natura ou minimamente processados, o que prejudica a obtenção dos nutrientes necessários para o desenvolvimento.

“Os riscos de consumo são os mesmos para todas as idades. Entretanto, na terceira idade, existe uma necessidade diferenciada de nutrientes pelo próprio metabolismo e pela perda de massa muscular decorrente da idade. Para aqueles com doenças crônicas, o consumo desses alimentos agrava ainda mais o caso”, alerta a especialista.

O que evitar

prato de macarrão
(Fonte: Pixabay)

Entre os alimentos a serem evitados estão biscoitos, sorvetes, cereais matinais, sopas prontas, macarrão e temperos instantâneos, salgadinhos , refrigerantes, achocolatados, bebidas energéticas, molhos prontos e produtos congelados (como pizzas, hambúrgueres, nuggets e salsichas).

Que tal substituir esses alimentos por comidas saudáveis? Não, não precisa fazer churrasco de melancia, mas de pouquinho em pouquinho substituir salgadinho por fruta não vai ser tão difícil.   

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