Jejum intermitente: quais riscos e vantagens dessa dieta da moda?

Será que ficar longos períodos sem se alimentar emagrece? Chamamos uma nutricionista para explicar tudo sobre o jejum intermitente

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Jejum intermitente: quais riscos e vantagens dessa dieta da moda?

Se você costuma pesquisar dietas, provavelmente já viu ou ouviu este termo em algum lugar: “jejum intermitente”. As pessoas que adotam essa dieta ficam 12, 14, 16 ou até 24 horas (um dia inteiro!) sem comer nada, concentrando todas as refeições dentro do período permitido. 

Claro que o jejum também inclui as horas em que você está dormindo, mas, mesmo assim, ainda é bastante tempo sem se alimentar. Em um jejum intermitente de 16 horas, por exemplo, a pessoa deve jantar antes das 20 horas e só pode almoçar no outro dia às 12 horas. Nada de café da manhã, pois ele está dentro do período do jejum — nesse tempo, só estão permitidas bebidas sem calorias (como água, chás ou sucos). 

Mas será que todo esse esforço realmente compensa? Segundo a nutricionista Aryane Emerick dos Reis (CRN-3: 51457), o jejum intermitente é um protocolo interessante para o emagrecimento, mas que deve ser feito com cuidado e orientação de um profissional, tanto para trazer o resultado esperado como para evitar riscos à saúde. 

Inclusive, se você quer entrar em contato com profissionais da Nutrição para receber orientações personalizadas sobre alimentação, você pode acessar o aplicativo Self sem Culpa, da Selfit. 

Agora, vamos conferir o que mais a nutricionista Aryane tem a dizer sobre o jejum intermitente na entrevista a seguir.

Como funciona o jejum intermitente?

Em resumo, o jejum intermitente é uma janela de tempo em que você fica sem se alimentar, mas de forma planejada. 

Existem modelos 12×12, em que a pessoa faz todas as refeições dentro de um espaço de 12 horas e, nas outras 12, fica em jejum. Tem também o jejum de 14 horas (com 10 horas para se alimentar) e o 16×8. Além disso, existe também o jejum de 24 horas, que tem uma restrição calórica ainda maior, já que a pessoa vai ficar um dia inteiro sem se alimentar. Para essa modalidade, o aconselhável é escolher apenas um ou dois dias da semana para ficar sem comer, alimentando-se normalmente nos outros.

Contudo, é interessante observar que o jejum intermitente é mais do que ficar esse tempo sem comer. Ele envolve todo um protocolo, que inclui também o que você vai comer dentro dos períodos permitidos, para alcançar os seus objetivos.

O jejum intermitente emagrece? Por quê?

De maneira geral, o jejum intermitente é uma modalidade interessante para o processo de emagrecimento. Mas isso depende: também temos que ver o que está sendo feito no restante do tempo. Isso porque, não adianta eu ficar 14 horas ou 16 horas sem comer e, quando eu comer, os alimentos são um monte de fast food. Afinal, é só a gente pensar em como ocorre o emagrecimento: você tem que ingerir menos calorias do que gasta. 

café da manhã e despertador
É necessário cuidar também do que você come fora do jejum intermitente. (Fonte: Freepik)

Que outros benefícios o jejum intermitente traz para a saúde? 

O maior benefício que o jejum intermitente traz para a saúde é no metabolismo, na questão da resistência à insulina — o ideal é que a gente não ative muito a insulina ou não ative o tempo todo. Quando passamos muito tempo em jejum, melhoramos essa questão. 

Além disso, seguindo essa dieta, para gerar energia, o seu organismo começa a lançar mão de outros mecanismos — que é onde ocorre o processo de emagrecimento. Ele começa a tirar energia de aminoácidos, de gordura e aí você começa a ter perda de peso, mas isso, claro, desde que tenha um equilíbrio nos períodos em que pode se alimentar. 

Quais os riscos do jejum intermitente?

Um dos principais riscos é ter um quadro de hipoglicemia: quando o açúcar no seu sangue fica insuficiente, falta energia e você pode ter tonturas ou desmaios. É importante também ressaltar que o jejum intermitente não é recomendado em algumas fases da vida, como na gravidez ou lactação, em crianças e adolescentes, já que são fases que demandam muitos nutrientes e um longo período sem comer pode ser perigoso. 

Por causa dessa questão da insulina, o jejum intermitente pode ser indicado para pessoas diabéticas, mas desde que haja um acompanhamento médico para evitar a hipoglicemia. O ideal é sempre ter uma orientação, para fazer o jejum intermitente de forma adequada e evitar riscos. 

mulher com frutas na mão
É essencial a orientação profissional para evitar riscos do jejum intermitente. (Fonte: Freepik)

A pessoa pode voltar a ganhar o mesmo peso (efeito sanfona) depois que parar o jejum?

Pode. Isso acontece muito quando as pessoas começam a fazer uma dieta, alcançam o objetivo de perder peso e pensam que podem voltar a comer tudo que comiam antes. A gente tem que manter um estilo de vida saudável sempre, seja para perder peso, como também para manter o peso ideal ou ganhar massa muscular. 

Então, é importante pensar em uma mudança de hábitos alimentares: introduzir comidas saudáveis para que consiga manter os resultados mesmo que não mantenha a prática do jejum. 

Como encaixar os exercícios na rotina do jejum intermitente? É possível fazer exercícios em jejum?

Esse é um ponto que gera bastante dúvida e não tem uma resposta exata. Do ponto de vista do metabolismo não tem problema, desde que você esteja se alimentando bem nos períodos fora do jejum e garanta um estoque de energia para o exercício. 

Porém, na prática, o ideal é ir com calma e ver como seu corpo se adapta. Se você ver que está passando mal ou sentindo alguma falta de energia, pode ser melhor rever o jejum com o profissional que está lhe orientando. Até porque, mesmo que você não passe mal, fazer os exercícios em jejum pode baixar seu rendimento e você não terá tantos resultados. No entanto, essa é uma questão bastante individual.

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