Setembro amarelo: alimentos que ajudam a aliviar sintomas da depressão

Nos últimos anos, vários estudos científicos têm destacado o papel da alimentação na prevenção e no tratamento da depressão

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Setembro amarelo: alimentos que ajudam a aliviar sintomas da depressão

Uma das principais causas de incapacidade no mundo, a depressão é vista como uma doença multifatorial cujo tratamento ainda é considerado um desafio para a ciência moderna. Nem sempre os remédios antidepressivos agem da forma que se espera, obrigando a investigação de outras alternativas, como algumas carências nutricionais.

Conversamos com a Aryane Emerick (CRN-3 51457), nutricionista da N2B Brasil, pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional. Ela falou sobre o papel da alimentação na prevenção, no tratamento e no controle da depressão.

Existem alimentos capazes de aliviar ou curar a depressão?

Dizer que um alimento isoladamente será capaz de aliviar ou curar a depressão não é verdade. O que podemos afirmar é que a qualidade da alimentação vai ter impacto em muitos aspectos da vida das pessoas que podem agravar a depressão, como sono, disposição, energia e humor. Por esse motivo, a regulação da alimentação é sim importante nesse processo, mas o tratamento com um profissional habilitado é primordial.

mulher olhando para tigela
(Fonte: Shutterstock)

Nesse caso, como manter uma alimentação balanceada?

É muito importante sempre mantermos uma alimentação equilibrada. Ela não deve ser mais um motivo de preocupação em seu dia (com dietas que trazem ansiedade e são difíceis de seguir), mas algo com o qual você consiga lidar de forma natural, por isso a mudança pode ocorrer aos poucos.

Pensando especificamente em saúde mental, apresentaremos nutrientes importantes e alguns alimentos que são fontes deles:

Triptofano

Ajuda na síntese de serotonina, hormônio da sensação de bem-estar: arroz integral, banana, chocolate acima de 60% cacau, ovo, amêndoas, mel, amendoim e feijão.

Ômega 3

Potente anti-inflamatório que auxilia a comunicação entre os neurônios: salmão, atum, sardinha, chia e linhaça.

Magnésio

Também auxilia na produção de serotonina: semente de abóbora, espinafre, aveia, banana prata, linhaça, castanha-do-brasil e de caju.

Zinco

Ação antioxidante e anti-inflamatória: aveia, castanhas e arroz integral.

Vitaminas B6, B9, B12

Auxiliam na produção e na comunicação dos neurônios, bem como na produção de serotonina: vegetais verdes-escuros, arroz integral, aveia e carne.

família sentada na mesa comendo
(Fonte: Shutterstock)

É importante ressaltar que esses alimentos não são tratamento ou cura da depressão, eles podem auxiliar na manutenção e melhora do quadro quando aliados com o acompanhamento de psiquiatra e psicólogo. O nutricionista também pode te auxiliar mostrando a importância de não fazer dietas restritivas, compreendendo melhor sua relação com a alimentação e desenhando uma dieta individualizada.

Da mesma forma, queremos saber se existem alimentos que pioram os sintomas da depressão e como evitá-los? Existe algum tipo de dieta alternativa?

Sim, existem alimentos que podem piorar esses quadros, quando pensamos nos ultraprocessados (salgadinhos, bolachas, fast foods e embutidos), que são ricos em corantes, aditivos, açúcares e/ou gorduras. Eles têm a capacidade de deixar nosso organismo em um quadro mais inflamado, o que pode prejudicar sintomas de depressão.

gif personagem comendo
(Fonte: Giphy)

Além disso, o alto consumo deles, por serem pobres em vitaminas, minerais e fibras, pode prejudicar o funcionamento do nosso intestino, que é tido como nosso segundo cérebro. Ele regula muita coisa, inclusive a produção da serotonina, que é o hormônio da sensação de bem-estar. Podemos ter quadros de constipação com o excesso de industrializados, o que também pode piorar quadros de depressão.

A boa regulagem do nosso intestino e o consumo de alimentos mais naturais ajudam no controle do sono. Se não temos isso, podemos desequilibrar o ciclo do sono, causando, por exemplo, a insônia que pode agravar também os sintomas da depressão.

Tem como fazer um cardápio para combater a depressão já instalada?

Como citado, o acompanhamento com uma equipe multidisciplinar é muito importante caso a caso. O nutricionista pode intervir com alimentos e nutrientes necessários para melhorar sintomas relacionados ao transtorno ou que podem agravar o caso (por exemplo, uma constipação severa). Ele também pode pensar em estratégias alimentares para reduzir os efeitos colaterais de alguns medicamentos que podem ser utilizados no processo, mas o resultado virá do tratamento como um todo e com toda a equipe.

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